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Degelo na Groenlândia: metrópoles como São Paulo são as principais responsáveis

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Em palestra, líder espiritualista esquimó e ativista ambiental, reforçou a necessidade de “tocar no coração dos homens”, para alertá-los sobre o aquecimento global

“Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha.” O ensinamento islâmico orienta os homens a preferirem o simples ao complicado. Angaangaq, líder espiritualista e ativista ambiental da Groenlândia, no Pólo Norte, segue a mesma lógica de Maomé e há mais de 30 anos visita várias cidades pelo mundo, entre elas as grandes metrópoles, que considera serem os principais responsáveis pelo degelo no Pólo Norte, porque na sua opinião, “são os que mais poluem e aceleram o aquecimento global”. Em agosto o ativista escalou o Brasil e proferiu a palestra “Sabedoria do Gelo” na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
A principal mensagem do ativista para os estudantes, professores e representantes de entidades ligadas à preservação do meio ambiente que compunham a platéia, foi a reafirmação da prioridade de massificação da sensibilização dos homens para o consumo consciente em defesa da sustentabilidade do planeta. “Precisamos parar de derreter o gelo da Groenlândia e começar a derreter o gelo que está no coração dos homens”, apelou Angaangaq.
“A saída é tocar fundo na consciência das pessoas para que elas mudem seus hábitos de consumo em benefício deles mesmos e, ao mesmo tempo, da ‘nossa terra mãe’ e das gerações futuras”, insistiu. O esquimó afirmou ter chegado a essa conclusão porque durante sua longa trajetória como ativista ambiental, percebeu que poucas pessoas relacionam seus hábitos de consumo à degradação do meio ambiente, apesar de terem consciência de que nem tudo vai bem com o nosso planeta. A explicação, segundo Angaangaq, é que a atenção das pessoas está nas leis e convenções, mas poucos percebem que elas existem há muito tempo, mas não são cumpridas e, quando isso acontece, é sempre em favor dos mais poderosos.
Sempre em tom apelativo, Angaangaq chamou atenção da platéia para o fato de estarem na presença “em carne e osso” de alguém que corre o risco eminente de perder sua identidade, pois, os costumes da população esquimó estão sob ameaça de extinção devido às mudanças que acorrem rápidas demais com o avanço do degelo. “A temperatura que hoje chega a 18 graus no período do ano mais frio, já foi de 35 abaixo de zero, por isso o gelo derrete sem parar ao longo do ano. Montanhas de gelo que há 60 anos tinham uma espessura de cinco quilômetros em media, hoje chegam a dois. Está cada vez mais difícil construir nossas cabanas de gelo porque a neve está quase em estado líquido. Os animais que comemos morrem de calor porque estão habituados às temperaturas baixas e por isso temos que comer o que vem de fora e que não faz bem para o nosso organismo”.
Na opinião da socióloga Katucha Rodrigues Bento, que assistiu à palestra, “a mensagem foi impactante porque as pessoas saíram da palestra com a real consciência de que estão acelerando o tempo de vida do planeta e que precisam rever seus hábitos para preservar suas próprias vidas, para preservar a diversidade”.
No final, o palestrante minimizou a distância entre São Paulo e Groenlândia, bem como o tamanho das duas comunidades, preferindo atribuir responsabilidade e importância iguais às duas sociedades na utilização e preservação do planeta. “São 17.500 quilômetros que nos separam, são 20 milhões de habitantes em São Paulo e 20 pessoas na minha comunidade. Hoje quem sofre mais com o aquecimento global somos nós, mas em breve, se as coisas continuarem do jeito que estão, seremos todos nós”.

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